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Quando era jovem e passava pelas mesmas ruas reclamando das obrigações,

existia Seu Osías sentado no final da tarde observando o movimento das crianças voltando do colégio e o congestionamento lentamente se formando na avenida que seguia paralela (a rua, a vida, ao contexto). Calvo de resto de cabelos tingidos colocava sua cadeira do lado de fora do portão todos os dias na mesma hora quando fazia Sol. Dias eu passava por sua calçada apenas para dar-lhe bom dia, dias de mau humor atravessava a rua pra não ter de fazer média. Dias de chuva me perguntava se Seu Osías havia de estar muito chateado com o tempo fechado e fazia questão de imaginar o que estaria fazendo por de trás de seus muros 'Vendemos Pizza'.. jogando baralho, vendo programa do Datena, existiria uma Senhora chamada Madalena? Com tantos questionamentos e uma relação criada apenas pelo estabelecimento da troca de olhares será que Seu Osías pensava como deveria ser a vida por trás de um garoto com mochila nas costas e anel no dedo? Seria namorada, noiva ou adereço? Mochila de escola, de pão, de droga? Em outra vida poderia ser eu um bandido e ele um Senhor escondendo um assassinato daqueles que os sensacionalistas venderam seu peixe durante o mês.. poderia até ter matado Dona Madalena, que talvez nunca tenha existido. Mas sempre tivemos simpatia um pelo outro sem trocar um diálogo sobre quem erramos em votar e pensamos antes de dormir. Por oras talvez me conheça menos do que um Senhor sentado em sua cadeira observando crianças voltando da escola.. e que em minha mochila não havia pão, droga ou caderno de escola mas o peso do mundo pulando em sintonia com a batida da música em aleatório (muito sangue, muito ódio, mude o cenário: tem que existir algo mais). Por trás da miopia talvez fosse eu um jovem de olhar baixo e suspiro triste pensando o como a vida é curta e injusta aos que não creem; me crucificando por não ter falado com Seu Osías só porque tirei nota baixa em Geologia e não queria conversar com ninguém. Talvez ele tivesse sentido minha falta aquele dia.. talvez nem tenha colocado sua cadeira para fora ou não tenha notado minha ausência. As duas últimas hipóteses me soavam como suspiros ruins.. o que teria sido de seu dia sem toda aquela vida passando pela calçada? 

Nunca soubemos se na realidade éramos dois extremos opostos. Hoje analiso que sempre preferimos deixar assim: apenas a ideia suposta de que éramos duas almas iguais em tempos diferentes. Para mim, era como se o bom dia de Seu Osías significasse 'nunca é tarde meu jovem, nunca diga que é tarde demais'

                                                   CaianGago

30/08/2013 - 7:33pm | 1 nota | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Tem gente que cala o coração da gente. Também há quem chegue gritando, fazendo alvoroço colocando regra em casa santa (como ir à Igreja e mandar o padre mudar liturgia). Eu por vez e sumo gozo do livre poder de escolha optei pelo silêncio. Alguns dizem que neste pairam as dúvidas e que de dúvida a vida se alimenta por si, outros petiscam comparações a Domingos: sem movimento o fado ao tédio. Não me arrisco querer colocar em cabeça alheia que minha preferência se dá ao passo qual no silêncio posso ouvir minhas idéias na ritmia harmônica de meu coração. Em democracia de mim, razão e emoção fazem plebiscito: uma escolha justa -sensata- as duas partes. E juntos engolimos o seco, aquela mais parecida bola de pelo que custa descer pela garganta, ecoa no consciente como uma escolha errada. Não é. Pela cama com fronha dobrada ao lado das curvas do corpo nas noites felizes a áurea vira auréola, o pensamento de dois quando dois já significa um só. Me crucifiquem por optar silêncio, transformem-me em Judas no próximo Carnaval, não abro mão e ao contrário digo ‘façam’, façam que felicidade só é plena quando concordância não é da maioria. Deixa que arda, deixe que chama. Que nunca entendam que quem chega em silêncio faz barulho enorme neste universo outrora desabitado. Muda, bagunça, chacoalha, faz viver. 

A essência da vida se dá no singular mais plural que existe:  
preenchimento vital de um único e satisfeito amor.

                                                   CaianGago   

16/04/2013 - 11:34pm | 3 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Que bons novos ares recriem este imenso vazio. A janela aberta, escancarada, em direção ao poente para que o brilho do Sol da manhã não tente por mais uma vez despertar uma alma que ainda dorme. Por cansaço, vencido em base da insensatez a noite passa e vira noite novamente. Esta pequena que creditam estar a graça. Este conhaque pra esquentar um par sozinho que já não aguenta mais verão. Passa ao tempo os suspiros, pulmão cheio e solte-se o ar mais uma vez pela boca fazendo bico. Olhos atentos, peito apertado o relógio tic-tac: os olhos pesam. Por onde anda Margarida, as pegadas no jardim em meio folhas secas, secas, secas.. nega-se a chuva ao menos por enquanto der. Trânsito, buzina, barulho e cobrança; feche esta janela meu amor, criemos artifícios para o frio. Feche, feche esta janela meu amor, hoje é segunda mas enquanto houver escuro o tempo é meu. O tempo é seu pra fazermos disso tudo, um muito de nós. 

                                                   CaianGago  

16/12/2012 - 7:59pm | 4 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Sexta-feira é um daqueles dias que a gente acorda com certeza de tudo que quer da vida. Existencialismos não ganham espaço frente aos propósitos pelo qual levanto nestas calorentas ultimamente cotidianas noites de sexta-feira. Um critério adotado há tempos que não anda funcionando por momento.. um sussurro silenciosamente adentrando e invadindo a janela aberta dos pensamentos que deixo ao me deitar. Neste silêncio que boto em prova minhas ideologias, até quando o preço -cheiro- destes novos ares pode perfumar os velhos colchões e roupas de cama que por capricho não costumo mudar. O incerto mas nada duvidoso futuro próximo que bate na porta do peito perguntando quem é. Mimos, vícios de rotina que crio sem pedir prévia autorização -uso do livre arbítrio com a consciência de não poder cobrar, peço desculpas inclusive se quebrei o protocolo. Espaço de menos para corpos de mais (esqueça o de mais neste instante). É incrivelmente óbvio como os outros -mundo lá fora- interpretam os sinais que emitimos um ao outro sem percebermos. Música para trilha sonora, o ciclo se perpetua enquanto tento provar que aquela frase foi aleatória, você ao outro lado da linha mal sonha em entender a ordem das palavras daquele soneto. Arrítmicos como relógio enferrujado e tão sem pressa quanto. Razão pela simples razão. Incógnitas que deixamos existir pela prevalência do medo, da vergonha deste medo que temos do plural. Nostalgia do momento que ainda nem sequer deu tempo de virar memória. A manhã vem como tem que vir cumprir seu papel, 8 horas café no bule, continuo na incessante busca por seu nome.  

                                                   CaianGago  

17/11/2012 - 11:58pm | 2 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Anônimo
Seus textos são perfeitos! De onde surge tanta inspiração ? 

a vida se encarrega, apenas sou interlocutor.


Anônimo
muito bom teu último texto parabéns mas será que tu poderias me explicar ele mais afundo ? confesso que fiquei deveras confusa ... 

Não sou de fazer isso, cada um interpreta da maneira como quer ou acha que cabe melhor em sua vida, até porque não existe um sentido ou uma razão específica única.

Na primeira parte falo sobre um conflito interno. Alguém confuso revendo seus próprios conceitos, uma guerra de si contra si. Mas existe um fator desencadeante externo, um segundo personagem, a causa. Como se alguém estivesse entrando em sua vida enquanto ele tenta decifrar se realmente é seguro abrir seu mundo, seu castelo (esta é a metáfora). Ele lida como se aparentasse que a outra não ligasse, mas percebe de alguma forma que existe ‘muito argumento bem elaborado’. Há algo. O personagem entra em indagação, contra quem e por que ele luta? Vale a pena uma guerra, não seria apenas pessimismo? O problema que cria em sua cabeça não poderia ser uma solução? Pergunta a si se já não pode estar dentro da muralha que a outra pessoa construiu para si (barreira contra seus medos que talvez tenha conseguido derrubar). Diante de poucas certezas, o único motivo para o qual continuar é que algo soa certo, deve ir adiante. Ele termina refletindo que nesta guerra ou chegaremos a algum lugar juntos ou todo esforço foi em vão, tudo para nada, a perda é conjunta. Nada mais nada menos que a expressão ‘nadei e morri na praia’, o qual finaliza o texto. 


Anônimo
Caian independente do que voce escreve, sua pessoa me deixa lisonjeada, e em alto teor de excitação! Beijo 

HEUAHEUAHEA obrigado eu acho????? 


Dentro de todo esse fogo cruzado de palavras em uma guerra de incertezas mora a sensação de ser jogado em uma trincheira. Com o propósito de salvar minha própria ideologia a única arma é o que posso fazer com a razão que se esgota. Teimosia em crer que se faça de cega, minha cabeça ainda decifra sua bandeira branca como blefe para que descubra meu esconderijo. Talvez queira se esconder também por acreditar que aqui seja um lugar seguro. Te digo não é -e por mais que duvide- esta existência do talvez que nega a permissão para que descubras um pouco mais a fundo este meu mundo. O protocolo de entrada, a palavra-segredo ou apenas força para empurrar uma porta enferrujada. É muito argumento bem elaborado para alguém que simplesmente diz não ligar ou hasteia cor branca em forma de desistência. Tudo isto é comparável a ir em uma missão de paz completamente armado. Nego que seja guerra por puro capricho como soa a maioria. E mesmo eu que já não caio nessa minha história que teimo em inventar.. narrando de trás pra frente mesmas coisas com justificativas sem sentido. O que quero provar ao mundo, contra quem luto, é problema-solução, seu inverso ou apenas um conflito de inocentes? Vezes aos sorrisos, vezes aos berros.. jurando abalar estruturas com simples murros nus. Diante da muralha surge a dúvida se estou dentro, estou fora. O Sol castiga os dias cegando um horizonte já turvo de poucas coordenadas, ao anoitecer a certeza nas estrelas que a direção aparenta ser a mesma. Adiante eles dizem, adiante. 

E este, o único som frente ao silêncio profundo.
Em guerra de nós, vitória é conjunta ou morte na praia.

                                                   CaianGago    

17/10/2012 - 9:37pm | 1 nota | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

- Problema. 
- O que insistes pra si martelando esta ideia em uma cabeça propositalmente confusa. 
- É problema.
- Não por ora. Mas com toda esta convicção não demora a tornar-se. 
- Seu conceito de solução me soa vago, não me convences.
- Nunca convenci ou disse que o faria. Arriscar tal promessa pra gente desenganada da vida como você é pedir demissão da credibilidade.. não me disponho me arriscar por toda esta falta de diálogo se não acreditas em si.
- Falta motivo.
- Sobra vontade.
- Não resolve.
- Como se motivo movesse moinhos de vento.. a vida por ela é pecado. Peque pois peco pela vontade. Falas como covarde. Foges a luta, tens medo da vida.. arrumas motivos pra qualquer desavença da existência. O que te falta é coragem.
- Sempre fui homem não tens este direito.. me conheces de berço. Sabes o que passei, sabes quem sou, o que penso. Não é descrença, é falta de fé. 
- Tão cheio de si..
- Preenchido de vazio. 
- Porque colocas razão em todo ato. Repensa três vezes antes de pedir a quantidade de pão para o lanche. Já que julgas tanto este vazio que dizes ter, deveria deixar que o mesmo tomasse conta dos pensamentos por vezes.. 
- É o peso do mundo..
- Quanto mais peso carregares no coração menor será o da cabeça. 
- …
- Falo de promessa. Falo de homem pelo homem. Para o homem. O que andas fazendo é o inverso, tomando remédio pra enxaqueca achando ser culpa do verão. Não paras pra pensar na sobrecarga?
- És o primeiro a dizer que pensar é a raiz dos problemas.. por Deus, a futilidade está por provar que não faz sentido o que dizes.  
- Sua procura incensante por sentidos.. 
- Não compreendo.
- É um avanço.
- O que tentas me vender? Esta ideologia do viver por viver? Frases em latim e tatuagens de motivação? Por favor, valha-me. 
- O que tens a me agradecer pela paciência não vale o preço da própria vida. 
- Tempo.
- Enganas a si se crês que a simples falta de pilha no relógio da cozinha fez o universo estagnar..  deixe de egocentrismo, homem. És mais que isso.
- E talvez concorde. Mas pensamento de um não faz ato de dois. Tem de haver consentimento, todo aquele protocolo..
- O olhar no futuro é a primeira deixa para o passo a frente..
- Mas e os pés, hão de acompanhar?
- Puxe pela mão. Na pior das hipóteses as pegadas ficam. Guiam o caminho.  
- E se não fores o correto?
-Teimas em voltar no embate do certo pelo errado.. se continuares nessa quantidade de ‘e se’ jamais em sua vida terás ‘e foi’.
- Talvez.
- Certeza.
- O medo do será. É tarde? É cedo?
- É hora.
- E agora?
- Vá.

Pela primeira vez não indagou. 
Olhou para a frente vestindo apenas sua nova veste, a falta de razão.
E foi.
                                                   CaianGago    

8/10/2012 - 12:41am | 1 nota | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Talvez fosse terça quando já desistia de carregar o celular para os lugares e vielas em que minha alma vagava. Verificar mensagens e ligações havia se tornado uma tarefa incompreensível frente a uma lista de contatos vazia. Agenda vazia e mais vazio meu contato humano se tornava ao longo da semana que insistentemente fazia questão de passar. Pensando melhor talvez fosse quarta quando a vi pela ultima vez e tive uma das únicas plenas certezas que a vida me proporcionou. Vestido preto, atravessava a rua como se o relógio em seu pulso gritasse em sussurros ‘atrasada como sempre’ nesse sempre que nunca existiu e cobrava tanto de si. Quanto eu nunca cobrei de mim nas manhãs de quinta em que as possibilidades não animavam os pés vestir a velha meia social de sempre. O de sempre e para sempre que nunca mudava. Ora uma outra arriscava certa aproximação meio distante para saciar uma própria carência; manias dessas metades sem rumo que vagam pelas bocas infelizes. Sabes nunca fui do tipo instinto caçador, mais para um homem que não coloca a música mais alta do que suas ideias. Gosta de ouvir seus pensamentos e acredita que no silencio podemos adentrar a consciência dos mais próximos. Dificuldade que encontrei ao me deparar com este seu rosto de olhar desenhado em minha frente. E me perguntando porque esqueço que a noite mal passa de um senhor que ainda pensa ser criança. As multiplicações e somas de ideias que não encontro a fórmula. Vinho com mais vinho, não por ilusão, sua imagem em minha mente que me adormece acorda para uma nova sexta-feira, dia em que juramos para nossos egos que tudo está e sempre estará bem.. janta farta a cama está preenchida. Dor de cabeça e aspirina, o ultimo trago para mais uma viagem com Morfeu. Preto. A ultima imagem que tenho em memória. Preto. Um blackout de ideias misturadas em uma boca com gosto de tabaco.. a sensação de dormência mais esta vez. O costume e o vício que se passa por modinha aos que nao querem enxergar. É domingo. Nao tenho certeza onde se meteu o sábado mas é domingo. Por cristo, onde estás? Apenas não tente me convencer que não era você ontem a noite. Falo do meu amor sem meu e sem amor. A bossa na vitrola e o cheiro de café no bule que desperta minhas ideologias - ou pelo menos tenta mostrar que essa falta de açúcar na vida possa proporcionar um amargo tragável. 


A continuidade dessa existência na superficialidade de segundas e as terças em que desisto de carregar o celular..

                                                    CaianGago      

23/09/2012 - 1:04am | 1 nota | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Esse seu jeito arrogante em negar suas visíveis fragilidades se tornaram a intriga da minha já justificável insonia. Mais café e o maço de cigarros virou dois. Como se já não bastassem os vícios da rotina e meus já desgastados problemas internos de personalidade me vem que a vida me joga você. Como se alguém lá em cima estivesse já tao atarefado que quisesse dividir deveres comigo. No exato momento posso afirmar que tudo isso possa soar ridículo e não apenas parece como realmente o é; se confirma todas as noites nestes papos sem elo nem motivos mas que acontecem. Nao escondo de mim quanto mais de ti que tudo isto me incomoda, o tal do inexplicável, da dúvida, do caos que habita este meu sorriso. Eu certo de minhas filosofias e você erroneamente correta de si, tal como ciência, religião e suas distintas certezas.. mas que se batem pelo prazer de mostrar eficiência. Tentas me convencer com pequenos íntimos gestos em nossa realidade afastada dos outros e compensa erros em beijos. A voz da consciência de sussurros de pouco vira gritos e minha negação em aceitar que os sonhos tomem o controle na força da situação. Por ora tudo isso soa errado. A trilha sonora inglesa e mais uma noite me perco de mim na fumaça de todo esse cigarro, procurando algum motivo em ti para nesse momento da vida estar sendo você.

                                                    CaianGago      

4/09/2012 - 2:07am | 5 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

A gente crê e é pago pra crer que no carnaval as coisas mudam pra melhor. Que chuva só se for de confete e choro só de alegria em ver a escola desfilar.. todo aquele arrepio guardado que estoura no refrão. Envolve, enlouquece e transborda nas curvas da nudez não proibida, a casa do pecado que já nasce perdoado aos olhos dos religiosos menos ortodoxos. Transformemos amor em tesão e tomemos o primeiro ônibus por volta das 6. Os tambores rugem, você se atrasa e o show tem que continuar. Esqueçamos que somos alguém em meio a multidão e passemos a encarar o destino como número.. onde nessa época não existe soma de mim com qualquer contigo que possa passar por sua cabeça. Talvez possamos multiplicar beijos, subtrair sentimentos e dividir pela maior quantidade de almas esvairadas pelas ruas que consigamos. Só pra ver se dá certo, só pra ver se isso passa. Vai que eles estiveram certos todo esse tempo? Vai que a nossa filosofia nunca foi tão revolucionária assim e no fundo estivemos errados toda vida. Vai que amor é utopia e vem que Vinicius nos fez de bobos pois vivemos em um mundo em que se é possível ser feliz sozinho. Pensa só que tolos nós procurando o inédito em uma época que tudo é cópia. As vezes nadar contra corrente possa ter sido um equívoco, como aqueles peixes que nadam rio acima e dão de encontro com um urso de boca aberta. Dentro de tanto talvez, você talvez tenha certeza que isso é sinal divino e devamos respeitar. Provável que nos absolvamos dos crimes que atentamos contra nossos corações.. mas sabes que por mais que considerados inocentes por nós mesmos, no fundo sabemos a verdade. Mas lhe digo vai, vá que a gente só sabe o que quer quando pensa que achava que não queria mais nada. Não te indago e não te cobro, pelo contrário, te pago as passagens, te compro um bom vinho. Chame mais atenção chamando por menos nomes e jamais aborde o que não for presente. Em carnaval até passado quer descanso, tira férias como se não existisse e teima em voltar nas quartas-feiras de cinza. Em carnaval rebola quem quer, samba quem pode. Quem não tem ginga olha aos céus, pede um drinque e dois cigarros, faz um brinde a toda essa intragável realidade.

                                                    CaianGago    

13/08/2012 - 8:49pm | 5 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

- E depois? Bateu a porta?
- Antes fosse. 
- De que tipo?
- De um tipo menos amargo. Todo esse clichê americano fez com que ela idealizasse o fim perfeito; falou frases de Zooey Deschanel e derrubou minha xícara de chá em um ato desesperado ‘me dê atenção’. Parecia roteiro de Woody Allen em fim de filme com trilha sonora do Radiohead. Mas você pode imaginar, fora do ângulo das câmeras tudo isso soa um pouco patético. 
- Por qual motivo?
- Pela vida que escorre lá fora..
- A que troco?
- Sem troco. Do tipo pagou e foi embora. Correu pro quarto revirou as gavetas e colocou na mala do jeito que pode. Deixou uma calcinha ou duas, bebeu um último copo de café com ares de arrogância e deixou a louça por lavar.
- E você?
- O que tem?
- Simplesmente ficou por olhar?
- É inerente a minha vontade. Parece furacão; uma hora você olha ao céu, vê os pássaros voando contra a tempestade que se forma no horizonte e pensa ‘não posso deixar o que construí pra trás’. Então corre pro porão, se isola do mundo querendo acreditar que está protegido ou que quando o temporal passar as coisas irão estar do jeito que estavam antes. Balela pra si mesmo ou procrastinação de sofrimento, você escolhe o jeito bonito de expressar. 
- Talvez seja questão de fé..  
- Nem por ela nem pela ausência dela. Pelos fatos e soma de fatores. Tem hora que não tem jeito querer abraçar caco de vidro; é se machucar juntando pedaços de algo que já não existe. Isso soa masoquista, prefiro me resguardar desses fetiches.
- Essas noites de lua cheia lhe deixam poético meu amigo. 
- Bebida e cigarro não tem gosto de poesia nesse lado do balcão meu querido. Esqueça as fotografias de fumaça em preto-e-branco, o glamour que prometem pra esse pessoal virgem de sentimento deveria ser crime. Toda aquela história de amor com beijo na boca e seios iluminados por luz de vela..
- … Que ajudam a minimizar os estragos da razão. 
- A razão não tem erros. Errado é ir na inconsequência querendo encher a boca de discurso ‘contra tudo e contra todos eu tentei’. O que tem de gente hasteando sua própria bandeira crente que inventou filosofia não é fácil de engolir. 
- E agora?
- Agora?
- Agora.
- De volta ao bar que me pariu no mundo. O depois a Deus resta, deixa restar..
- Sua mania de deixar a vida nas mãos do destino ainda há de te levar contra a correnteza. 
- E estar certo é seguir o fluxo?
- Não nesse intuito, mas sabes bem.. o vento quando instável muda de direção e vais junto. Nem sempre sopra para o lado certo. 
- Que deixe levar! Talvez a desventura me jogue em terras mais produtivas. 
- Viver de utopia não coloca comida na mesa.
- Melhor que preencher coração de nostalgia e ficar mentindo sorriso por ai. 
- Tempos difíceis.
- Sombrios.  

                                                    CaianGago    

11/07/2012 - 8:15pm | 3 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Esse Sol que devagarzinho entra pelas frestas da janela e aquece nossos pés nunca foi melhor companhia de minhas constantes ressacas. Hoje é domingo e você sabe, são dias de prova que nem tudo nessa existência é mar de rosas. É o preço meu amor. Todo aquele vinho manchando seu vestido e o maldito cheiro de fumaça que não larga de meu blazer. Por Deus, onde foi parar a poesia? O blues e as pernas enroscadas? Nenhum ser divino se atreve a dizer que sabe o quão me sinto vivendo esse porre de Gim. É muita poeira em carta não selada, é pouca razão pra muito sentimento inconsequente querendo despertar. Os idênticos caminhos, o velho e mesmo buraco de sempre. O hoje não divide erro de ontem em seis dias sem juros, a parcela de culpa é única; solitária como noite de segunda-feira.

Tem dias que o silêncio reconforta a paz, e tem dias que a paz não comporta todo esse silêncio. Tem noites que o café vira cachaça, o lápis cigarro e amor sexo por sexo. Mas ainda insistem minha amada, que a gente venha aqui e escreva algo poético para narrar nossa história. 

                                                    CaianGago  

29/06/2012 - 2:05pm | 6 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

Você se fecha ao óbvio enquanto sua boca apenas abre as 7 para cafés amargos. Jura ao mundo que sou o culpado pela fome e que maldita hora meus pais inventaram de se amar. Não se contenta com qualquer buquê, não se atreve ao novo e condena que o passado nunca lhe deu um cabelo bom. O presente é gelo com Gim, dor de cabeça e noites mal dormidas. O futuro não cabe a nós, homem nunca pisou na lua e aquecimento global é conspiração socialista. Desabafa com o psicólogo que não te entende, liga para os amigos que não te atendem e jura de joelhos aos Santos que em sua vida falta nada. Compra jornal, joga fora jornal e tudo permanece o mesmo. Fome, frio, fragilidade e frango frito no almoço. Falta família mas falta a família não faz. Chave no carro, abre carro, dirige carro, estaciona e fecha carro. Trabalha pra si e sempre cheia desse si você não procura saber onde fica a linha do horizonte. Sino, sina e sinuca de noite pra esquecer os problemas. Cada minuto mais tarde e o ponteiro do relógio parece querer te atropelar. Liga a TV e mais um atentado mata 3 no Irã; você tem certeza que poderia ter feito algo. Votou no cara errado, transou com o cara errado, deu gorjeta pro cara errado. Parou em lugar proibido, avançou semáforo e buzinou na frente de hospital. Deu esmola pro drogado, negou comida pra criança e se revolta com o Governo. Xinga Lula, xinga Dilma, fala mal de Olimpíada, reclama da Copa, metrô lotado, ônibus lotado, rua alagada e uma maldita chuva ‘chove não molha’ que não dá trégua nesse mês de março. Pede chopp e dois pastéis, anda de salto e solta o verbo em quem pisca olho. Emoldura diploma, assina cheque, agiliza papelada e não usa aliança no dedo. 

O último beijo não deu conta de preencher todos os dias que ainda viriam mas nem por isso cogita olhar para trás. É mulher com contas para pagar e não se sujeita aos caprichos de um bom filme a dois. 

                                                    CaianGago  

29/06/2012 - 3:25am | 3 notas | . | {reblogue this} |  Hey Lyla ! #

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